quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O PESCADOR MEXICANO E O AMERICANO

Numa aldeia de pescadores da costa do México, um pequeno barco retorna do mar.

Um turista (um consultor americano) se aproxima e cumprimenta o pescador mexicano pela qualidade do pescado.

Curioso, o turista pergunta: “Quanto tempo levou para pegar esta quantidade de peixes?”.

“Não muito tempo”, responde o mexicano.

“Bom, então por que você não ficou mais tempo no mar e pegou mais peixes?”

O mexicano explica que aquela quantidade bastava para atender às necessidades de sua família.

Mas o que você faz com o resto do seu tempo?”, indaga o americano

“Eu durmo até tarde, pesco um pouco, brinco com meus filhos, descanso com minha esposa”.

“Eu tenho uma vida boa...”

“À noite eu vou até a vila para ver meus amigos, dançar, tocar violão, cantar umas músicas...”.

O americano interrompe: “Pois eu posso lhe ajudar a ter uma vida realmente boa. Faça o seguinte: comece a passar mais tempo pescando todos os dias. Aí você pode vender todo o peixe extra que conseguir pescar.

Com o dinheiro extra, você compra um barco maior. Com a receita extra que o barco maior vai trazer, você pode comprar um segundo e um terceiro barco, e assim por diante até possuir uma frota de pesqueiros.

“Ao invés de vender seu peixe para um atravessador,negocie diretamente com as fábricas de beneficiamento ou quem sabe pode até abrir sua própria indústria de beneficiamento.”

“Aí você pode deixar esta vila e ir morar na Cidade do México, Los Angeles ou até mesmo em Nova Iorque!!”

“De lá você toca seu imenso empreendimento!”

“Quanto tempo isso iria levar?”, pergunta o mexicano

“Uns vinte, quem sabe vinte e cinco anos”, responde o americano.

“E depois?”

“E depois? Aí é que começa a ficar bom”, responde o americano, rindo; “quando seu negócio começar a crescer de verdade, você abre o capital e faz milhões!!!”

“Milhões? Sério? E depois disso?”

“Depois disso você se aposenta e vai morar numa vilazinha da costa mexicana, dormir até tarde, pegar uns peixinhos

ao lado da esposa, brincar com seus filhos e passar as noites se divertindo com os amigos...”

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A vida examinada

Queridos alunos,
Para uma melhor compreensão do texto "O Mito da Caverna" deixo este vídeo, conforme combinado em sala de aula, voltaremos rever nossas postagens. Bom trabalho!!!
Acessem o link abaixo

http://www.youtube.com/watch?v=KcujZd3JDtg

terça-feira, 11 de junho de 2013

O MITO DA CAVERNA

Platão


Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para a frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior.
A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ela e os prisioneiros - no exterior, portanto - há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas.
Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.
Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda a luminosidade possível é a que reina na caverna.
Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria.
Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol, e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade.
Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.
Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo.


Extraído do livro "Convite à Filosofia" de Marilena Chaui.